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Bife de cogumelo alimenta e protege da gripe suína


Noêmia Ishikawa é pesquisadora do mostra 11 pratos, todos a base de cogumelos, completamente diferentes. Cada um com sabor, sua textura e seu aroma.

A bióloga é pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e foi ao Japão estudar com os japoneses. Há séculos, os agricultores do país conseguem dominar o cultivo desses fungos tão saborosos.

Em uma estufa, os produtores reproduzem as condições ideais para os cogumelos. É o resultado de centenas de anos de observação de como a natureza funciona, além das mais modernas pesquisas científicas. O resultado é uma floresta artificial, que produz o cogumelo perfeito.

A bióloga acompanha a equipe em uma visita a um agricultor que cultiva shiitake. "A culinária japonesa sempre envolve a parte visual. Visualmente, o cogumelo é mais agradável fechadinho do que aberto. Aberto, parece mais passado, mais velho. Fechado ele está bem jovem e vigoroso", avalia

Outra novidade de dar água na boca: com a parte mais carnuda, o chapéu do shiitake, eles fazem um belo e saboroso bife. Até a aparência é de carne.

"Uma fatia de bacon é a extravagância do japonês. Ele come o bacon, mas fica à vontade, sem peso na consciência porque o shiitake tem bastante fibra e compostos que impedem que o colesterol do bacon seja absorvido pelo organismo", explica a pesquisadora.

É bem o jeitinho japonês: de tudo um pouco e um pouco de tudo. Sem exagero, sem culpa.

Os cogumelos têm também propriedades farmacêuticas já comprovadas pela ciência. No último inverno, a nova gripe pegou de surpresa os japoneses. Pelas ruas, quem ficou resfriado usou máscara para não contaminar as outras pessoas. E muitos buscaram a proteção nos cogumelos. O consumo disparou logo que a nova gripe entrou no país.
O fungo não cura a gripe, mas aumenta as defesas do organismo e por isso é considerado um excelente antigripal. E outra qualidade é certa: é uma delícia que não engorda.

Do outro lado do planeta, na Amazônia, existe uma grande diversidade de cogumelos, mas até hoje os brasileiros não conseguiram controlar a produção desse alimento no calor dos trópicos. Só mesmo a paixão da pesquisadora poderia fazer a ponte entre a técnica japonesa e a riqueza natural brasileira. Ela está aprendendo, em Tottori, a produzir cogumelos no coração da Amazônia.

"Meu objetivo é agredir o mínimo possível a natureza. Usar o clima, a diversidade e as condições amazônicas para produzir cogumelos da Amazônia", adianta Noêmia Ishikawa, que está fazendo seu trabalho em um dos maiores centros de estudos em cogumelos do mundo.

Nem precisou levar para o Japão o cogumelo que está pesquisando. A mesma espécie vive no país, só que em temperaturas bem mais baixas. Em apenas dois meses, Noêmia já conseguiu fazer brotar as primeiras amostras.

"Agora, passamos esse resultado para uma escala maior no campo. E assim vamos fechando as condições ideais do cultivo desse cogumelo", explica ela.

Noêmia Ishikawa repete em parte a história do avô, um japonês que migrou para o Brasil no início do século passado. Apaixonado por cogumelos, Nobuo Komagome foi um dos primeiros a cultivar shiitake no Paraná. Quando Noêmia Ishikawa resolveu estudar biologia, ela praticamente adotou um sonho que era do avô.

"Eu ajudava meu avô a plantar os cogumelos. Quando entrei na faculdade e contei que me interessei pelo estudo de cogumelos, ele falou uma frase marcante para mim: 'Se você estudar com seriedade o shiitake, um dia pode se tornar uma doutora'", contou Noêmia.

Ela já foi além do sonho do avô. Está fazendo pós-doutorado em busca de uma nova atividade econômica sustentável para quem vive na floresta. O melhor que a natureza tem a oferecer transformado com sabedoria milenar, capricho, precisão e arte.







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